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26 de março de 2012

Amor patológico: mais comum do que a gente pensa...

Outro dia li uma reportagem interessante na edição 73 da revista Psique. Falava sobre amor patológico, que acontece quando uma pessoa embarca numa união simbiótica na tentativa de fugir da insuportável sensação de abandono. Consequência: "ela dirige toda atenção à pessoa amada, desdobrando-se em cuidados e gentileza que nunca cessam porque simplesmente ela não sabe como controlar o impulso de agradar o parceiro. Numa postura obcecada, aquele que vive esse amor não consegue mudar o foco: seu objeto de desejo torna-se prioridade, enquanto os outros interesses ficam em segundo plano". 

Este era o início do texto e de imediato consegui identificar algumas pessoas que passam (ou passaram por isso). Elas sofrem e fazem o outro, a quem acreditam amar, sofrer também.

Relacionamento não é fácil. É um aprendizado constante. Uma doação com limite - o limite da sua individualidade. Doar-se sem se anular. Doar-se para receber.

Relacionamento é troca com cumplicidade e respeito mútuos; troca esta que visa acrescentar. Relacionamento que subtrai, divide ou anula é doentio. É difícil assumir isso. Mas é o primeiro passo para querer sair da situação. Afirmo com "conhecimento de causa".

Quem se identificou com o tema, sugiro a leitura da reportagem na íntegra: Quando o amor vira doença 

Boa leitura!

4 de maio de 2011

Quem disse que homens não escrevem aqui?

Achei esse texto navegando pela net. Quando terminei de ler pensei: "Putz, isso parece Diálogo de Mulheres". E tomou um gostinho especial quando vi que foi escrito por um homem. É um pouco longo, eu sei, mas vale a pena um esforço!

Sim, os homens também escrevem aqui!

Com vocês,
"O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas"

Por Ivan Martins, editor executivo da Revista Época


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. 
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil. 

7 de março de 2011

O erro das mulheres

Em meio à folia do carnaval, chegou as minhas mãos uma entrevista interessante com uma consultora amorosa (sim, existe essa profissão). O tema da reportagem era sedução e entre os vários trechos de uma entrevista que em princípio parecia tratar de um assunto banal, um deles me chamou a atenção:

O maior erro das mulheres é a forma como encaram o amor. A tendência é sempre colocar o amor e os relacionamentos como princípio-fim da vida. E os homens não fazem isso.  As mulheres têm a responsabilidade de ter uma relação feliz porque centram a vida no amor, delegando todas as partes de seu cotidiano aos homens. Estes, por sua vez, nunca preenchem todos os espaços de sua vida com o relacionamento amoroso. 
Eu comparo isso a uma pizza. Na vida do homem cada fatia é de um assunto. Tem os amigos, o trabalho, o futebol. O amor é só uma dessas fatias. E eles não morrem quando não podem ir ao jogo, porque têm outras coisas em foco. Já a pizza das mulheres só tem um sabor. E aí ela entra em depressão, nem vai ao trabalho quando o cara não liga, porque o relacionamento ocupa a vida inteira dela. Quando conseguimos distribuir a nossa pizza com sabedoria - uma fatia para cada assunto - teremos a tranquilidade tão sonhada.


Achei a comparação acima perfeita e é o que tenho discutido com algumas amigas "ansiosas" por um casamento em meio a uma rotina tão sem compromisso hoje em dia. Muitas de nós encaram o casamento como o prêmio final de uma vida, ou como nas histórias de cinema - o "final feliz". A recompensa por sermos tão "boazinhas", tão "educadas", tão "batalhadoras", tão "mulher"...

E abrimos mão de outras áreas da vida em busca desse tão sonhado "prêmio"... Que muitas vezes é um "presente de grego".

Tenho aprendido a dividir o meu pedaço de pizza com assuntos que me agradam - família, academia, cinema, leitura, amigos, cursos, trabalho... E tenho sido, sim, mais feliz. Pra mim, hoje, vale o lema: "Paz e arroz. Amor vem depois".

Na verdade, o tão "sonhado" amor eu achei - amando a mim mesma!


Para quem quiser ler a entrevista na íntegra, acesse: "A sedução não é moderna"